Segunda-feira, Abril 21, 2008

[Cruz(a]|mo)[mentos|]


«Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...


E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!


E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!»

Florbela Espanca, Lágrimas Ocultas

Etiquetas: , ,

Quinta-feira, Abril 17, 2008

Abraço de Amar


Há uma luz, abertura no meu coração:
que te ama
que te quer
que jamais te deixará de amar.

Certezas de mim, portas que se abrem:
para te sorrir
para te sonhar
para nunca deixar de sentir, tentar.

Resolvo as questões, entraves da solidão:
como que a destruir muros
como alguém que sai do casulo
como abraço em forma de amar.

Etiquetas: ,